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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Administração Poética

Olá, folks!

Posso dizer que o poema em questão é um dos meus preferidos. Foi escrito pela K.M em 2009. A publicação original aconteceu no meu blog pessoal: Diego's Francora Blog.

Acredito que muitas pessoas irão se lembrar das aulas do professor Fernando Durand. Há uma relação muito estreita com os grupos formais e informais que se formam dentro de uma empresa e etc. K.M traz também um pouco da sua percepção e desejos sobre o assunto.

Administração Poética

Colocaram-me entre eles
E não os conhecia.
Sua existência
Era ignorada por mim.
De maneira fortuita,
Fomos todos agrupados
Num determinado espaço,
Por um determinado motivo.
Não escolhi estar com eles,
E de certo, eles não me escolheram.
Entretanto, estivemos juntos
Do começo ao fim.
E fomos nos conhecendo…

Administração Poética II

Conheci a todos eles,
Embora os laços de amizade
Só fossem estreitos
Com alguns deles.
Nesse momento,
Surgiu um pequeno grupo
Que não era arbitrário
À nossa vontade.
Nossas afinidades se encontravam
Nas formas de pensar e agir.
Éramos muito semelhantes
Em quase todas as coisas.
E alguém alheio surgiu…

Administração Poética III

Um homem que não fazia parte
Do grande grupo e nem do meu,
Chegou furtivamente
E se dirigiu a todos nós.
E sua voz suave e mansa
Refrescou nossas ânsias
E preocupações grupais,
Fazendo-nos apenas enxergá-lo.
Suas mãos eram brancas
E seu olhar felino e predatório,
Não nos causava temor,
Apenas calma.
E ele exerceu o seu poder…

Administração Poética IV

O seu poder era pleno,
Especialmente sobre mim,
Que o desejava e cobiçava
E o queria em meu grupo.
Sonhava realizar com ele,
Um trabalho contínuo e repetitivo,
Um trabalho que fosse árduo
E cujo produto fosse o nosso prazer.
E esse prazer seria alcançado
Mediante os movimentos ideais,
A fim de que não houvesse desperdício
De suor, saliva e fluidos.
E assim, nos administraríamos…

 Kelly McCartney

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Ação Cultural

Galera que acompanha o nosso blog

No decorrer desse semestre aprendemos muitas coisas sobre Ação Cultural com a Professora Tânia C., e agora nessa postagem falarei sobre alguns conceitos aprendidos. Espero que gostem e opinem.

Ação Cultural

A ação cultural funciona como um instrumento de desenvolvimento humano, ou seja, o conceito de ação cultural é despertar no indivíduo a criação de suas próprias idéias, tirando suas próprias conclusões sobre qualquer assunto apresentado. E através dessa conscientização o indivíduo se torna um cidadão que conhece seus direitos e deveres perante a sociedade. No entanto, a biblioteca se tornou passiva diante da população e não produz mecanismos para atrair a camada mais pobre da sociedade. E nesse caminho que deve entrar o bibliotecário como um mediador da cultura.

No texto A cultura do centro Milanesi (1997, p.131) diz que há dificuldade de se conceituar cultura, e de identificar qual é o espaço mais adequado para trabalhar a cultura, habitualmente no imaginário coletivo ou senso comum cultura está associada há uma classe de elite tradicional (dentro de um contexto de uma minoria), pessoas em condições de privilégio. A ação cultural como política livresca.

Segundo Milanesi, para muitos brasileiros: O homem culto se revela quando fala ou quando transcreve a sua fala por meio da escrita. Na sociedade brasileira “O que prevalece é a idéia básica de consumo, o “ter para ser”, a posse de bens materiais e até mesmo simbólicos.

Quem não conhece uma “Perua Rica” ou ganhador (a) de  “reality show” que nunca freqüentou um ambiente escolar, seu linguajar é muito pobre, entretanto agora esta muito bem capitalizado, freqüenta os melhores lugares e faz questão de ostentar o luxo e o glamour. Um exemplo caricato é o caso da Lady Katy (Programa Zorra Total), uma ex-prostituta que ficou com a herança de um Senador, ela sendo de origem pobre (fala medíocre) e agora toda endinheirada ela tenta pertencer à alta sociedade e o seu bordão  principal é: EU TÔ PAGANDOOOO!!!!. Entende-se: “quem tem grana é que manda”.

É aí que entra a cultura de massa através da tv e de outros canais de comunicação, a popularização da cultura de elite, ou seja, conhecimentos para os operários e qualquer outro cidadão comum, no entanto é uma cultura de “casca”/ superficial é a adaptação do conhecimento como um todo determinado pelo consumo.

A ação cultural realizada pelos profissionais da informação objetiva a dinamização e a mediação da informação, utilizando-se de estratégias e de ações criativas e inovadoras, que despertem o interesse de um público rodeado por uma realidade muitas vezes problemática.

Como é o caso desse Blog de poesias, que faz parte da ação cultural. Poesias de uma aluna de Biblioteconomia e CI, que estava descontente com o curso e  não se dedicava (ela não se interessava pelas aulas),e através da criação do mesmo sobre a supervisão e monitoramento das Professoras Andréa C. (Editoração Eletrônica) e principalmente da Professora Tânia C. (Ação Cultural) houve uma enorme mudança de comportamento. Aquele talento que estava oculto aflorou e hoje ela é uma aluna mais dedicada e  participativa. Todo esse trabalho de divulgar suas poesias através do blog trouxe um novo ânimo para Kelly. Isso é o que eu chamo de Ação cultural, provocar mudança na vida das pessoas.


Edson Soares

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Comentário do Professor Contador Borges sobre o poema: Olhando Para o Oceano

Agradecemos a colaboração do Professor Contador Borges, que atenciosamente atendeu ao nosso pedido contribuindo com um filosófico comentário sobre o poema: Olhando Para o Oceano - Kelly MacCartney.


O mar de Kelly MacCartney

A poesia de K.M. que começa a tomar forma sob o princípio de Apolo, Deus grego da harmonia e da luz, já mostra no úmido de sua nascença um impulso de escrita que fala por si em peças descritivas e declarativas em tonalidade bem temperada entre lirismo e ironia. Neste poema, constituído de seis estrofes e versos irregulares, o eu lírico declara nunca ter visto o oceano, movendo o tônus poético para o lugar do suspense, onde o leitor apanha o dardo lançado com os olhos e o leva adiante, pois é desta liberdade bem aventurada que goza toda leitura feliz. Por isso mesmo, o mar de que fala o poema surge numa descontinuidade entre um dado inexistente “Nunca vi o oceano” e o mar declarado pelo poema, o mar-artifício que nem de água é: “mar de terra,/seca, infértil”. O poema renega o mar “verdadeiro”, para colocar-se, desde logo, sob o signo da recusa e deste modo explorar, no contraste, alguma possibilidade de reflexão através do choque das figuras agenciadas, inconcebíveis, inusitadas figuras: “ossadas de boi” e “cobras-moréias”. Nesta hipóstase de matéria real imaginada (o “oceano de água salgada”) em substância propriamente poética (o mar negro dos signos), surge uma vocação primordial do meio líquido da vida no planeta, revelada em antítese, ou seja, a de ser “cemitério,/ Dormitório aquático,/Casa de Ulisses,/ Stuart e tantos outros”. Com o território do poético assim demarcado, o leitor já pode admitir que o oceano de K.M. pode acolher, transubstanciado, qualquer elemento estranho, que pelo poder imanente da arte, torna-se objeto próprio em cercania íntima, pois a graça da poesia também consiste em recriar o solo da vida para revelá-la ainda mais vital. É nesse momento que o leitor se depara com um sujeito mais distanciado (o narrador do poema), que desfaz a ilusão de início como se sofresse um “choque de realidade”. Imediatamente sentimos que outras águas mais concretas, por assim dizer, invadem o oceano lírico que sob efeito inusitado se mostra cada vez mais irônico e, por isso mesmo, crítico: “Quando vi o oceano,/ Tão azul, extenso, / Pensei: quanta água! / De onde veio?”. Não será difícil, neste instante, somarmos internamente os mares navegados em nossa trajetória existencial, já que como lembra o melancólico dito português: “navegar é preciso”. Pois é navegando nas breves águas deste texto que participamos do impacto sofrido pela persona da poeta, a qual, trazendo para dentro d’água suas referências de vida, sente o sal tocando em sua língua e, inebriada (e ao mesmo tempo irada), prenuncia na pergunta: “Vou virar carne-seca/ E cozinhar aqui, /Junto com o lixo?” É deste modo que o poema vai destilando seu amargo senso de realidade, mas nem por isso perdendo em lirismo, pois também é mister da poesia o caráter reflexivo por vezes disfarçado como uma segunda pele: “Sim, havia lixo.../ Por que está aqui? / Além da vala, / Oceano é aterro?”. O poema poderia até terminar neste ponto, isto é, suspender seu tempo verbal, deixando seu efeito suspenso como é costume neste gênero. Mas K.M carrega um pouco mais suas ondas em mais uma estrofe para, quem sabe, reforçar seu sentimento mesclado de admiração e revolta, dois sentidos grandiosos que a poesia há tempos tem feito ecoar em multifárias conchas homéricas.
Contador Borges

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Olhando Para o Oceano

Galera bom dia, mais uma obra de Kelly McCartney 
Utilizando-se do seu humor sarcástico a poetiza fala sobre o oceano...

Nunca vi o oceano...
O único mar que eu vi,
Foi o mar de terra,
Seca, infértil,
Cujos peixes eram
As ossadas de boi
E as cobras-moréias.

Nunca vi o oceano...
Nem sabia que
Ele também servia
De cemitério,
Dormitório aquático,
Casa de Ulisses,
Stuart e tantos outros.

Quando vi o oceano,
Tão azul, extenso,
Pensei: quanta água!
De onde veio?
Seria mais útil
Ao meu mar de terra,
Que sendo cemitério...

Vi o oceano e nele entrei
O sal tocou a língua
E pensei: quanto sal!
Para quê tanto?
Vou virar carne-seca
E cozinhar aqui,
Junto com o lixo?

Sim, havia lixo...
Uma garrafa quebrada
Mordeu minha perna.
Pensei: quanto lixo!
Por que está aqui?
Além de vala,
Oceano é aterro?

Ah oceano triste...
Abrigo do lixo,
Casa da gente,
Imenso e salgado,
Tão azul e eu aqui,
Bobo, ainda penso:
“Quanta água”...

Kelly Dayane

domingo, 1 de maio de 2011

Comentários dos alunos, Nova Senzala, Novos Escravos

Olá, amigos!

Recebemos alguns comentários acerca do poema Nova Senzala, Novos Escravos. Ficaram ótimos! E o melhor de tudo, essa ação foi o resultado de uma interação entre os alunos de Administração e Sociologia da FESPSP.

Nosso muito obrigado aos que fizeram parte disso.

Comentários:


“Muito interessante a analogia. Realmente deixamos a escravidão de lado para dar lugar à outra forma de opressão: quem são os novos escravos? Quem são os novos agregados da sociedade, que não têm lugar próprio e não podem se suster sem fazer parte do “sistema”, sem estar à custa de outros? Escravos da profissionalização, da cultura industrializada, do gosto dirigido, do consumo induzido e do sentimento construído”.


 Luciana A. Santos - Sociologia


“Em um simples poema, entendendo as entrelinhas do que vivemos hoje, a escravidão do capitalismo. Estamos todos presos a essas senzalas e podemos contar somente com uma saída...educação para viver melhor a vida!!!”

Rose Bernardo – Administração (FESPSP)


“O poema apresenta, em uma possível interpretação ,o surgimento do capitalismo no Brasil, mostrando como, no conceito weberiano de “jaula de ferro”, estamos todos presos em uma estrutura que desumaniza   os homens,   independente da cor da pele. Os homens, como se percebe pela leitura, sempre foram externamente diferenciados por si mesmos , mas as estruturas de poder só mudam os disfarces, permanecendo estruturalmente iguais”.

Maite Garcia – Sociologia


“O discurso corrente é de que haverá uma mudança radical na consciência das pessoas pela educação, ouço isso desde muito jovem. Meus pais “iletrados nordestinos” sempre valorizaram isso, lembro-me de minha mãe sempre afirmar que não trabalharíamos, mesmo que por necessidades materiais ínfimas se não estudassemos até atingir um certo grau na escola. A educação era nossa prioridade. É claro que isso não foi possível em tempo integral, mas sempre se fez questão de que só teríamos condições de igualdade quando nos tornassemos  iguais no sentido do esclarecimento de mundo, de posições sociais como verdadeiros iguais, começando pelo conhecimento da história e de nosso valor como iguais SERES humanos.
Realmente, esse poema é muito atual, continuamos atados aos troncos das senzalas urbanas, endividados, morando mal, valorizando o nosso empreguinho e vivendo à mercê do relógio. Enquanto mantivermos nosso ideal de padrão burguês estamos alimentando a cultura dominante, todos “letrados”,usando esse conhecimento para manter a mesma estrutura escravocrata, enquanto isso a classe não-dominante continua reclamando que o mundo é cruel. Cabe a cada um buscar seu espaço, tomar consciência de mundo e sair do “gueto” desse mundo paternalista e buscar esse novo sentido para a vida. Isso vai se dar somente através do conhecimento, quando você for buscar o conhecimento a sua consciência abre para o mundo e você vai ver que somos REALmente todos IGUAIS! Enquanto isso não acontecer a esperança esta aí para te acalentar.
AÇÃO! Simplesmente AÇÃO!”

Cecília Melo – Sociologia


“Bom em relação ao poema acredito que o mesmo reproduz a realidade social não só dos brasileiros, mas também a realidade de diversos países. Contudo, na minha humilde opinião não são mais as indústrias e os seus respectivos donos os verdadeiros coronéis, e sim as grandes empresas que prestam serviços aos consumidores(exemplo: telefonias, tv a cabo e entre outras)”.

Beatriz Okiyama - Sociologia

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Nova Senzala, Novos Escravos

Olá, Pessoal!


Muitas coisas são significativas e não podem passar em branco. O Poema em questão retrata isso. Esperamos que vocês curtam, comentem, compartilhem e transformem.

Nova Senzala, Novos Escravos

Os engenhos urbanos
São grandes indústrias.
E seus donos (senhores)
São coronéis-empresários.

Escravizados são agora,
Negros, brancos, amarelos,
Numa vasta miscelânea
A serviço do poder.

Os grilhões do aluguel,
Roupas e alimentos
Atam esse novo escravo
No tronco empresarial.

Casebres de madeira,
Ou mesmo tijolos nus,
Favelas, grandes senzalas
Guardam o trabalhador.

Entretanto, a abolição
Desse escravo vem por meio
Do esforço de se letrar
Na cultura elitista.


Kelly McCartney



*Texto produzido durante a aula de “Ação Cultural”, ministrada pela profª Tânia Callegaro, que num equívoco, trocou a palavra “senzala” por “favela”.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

As mulheres segundo Cecília Meireles


Lua Adversa

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

Cecília Meireles